Oficina sobre a Campanha “Racimo; se você não fala, quem vai falar?”


Memória da Oficina Realizada no dia 13/06/08 sexta-feira às 16hs
Local: Cibernarium/PMSP/SPP/Vit@lis Brasil
A oficina contou com a participação do Alison Ibeto, Kátia Ugoagwu, Louise Edimo, a equipe do Cibernarium (Lúcia,Marcello e Rosana), apoiadores do projeto i-migrantes como o maestro Roberto Casemiro da SPP, Marivaldo Santos e Suzana Alves entre outros imigrantes da comunidade nigeriana, angolana e camaronesa.
A conversa iniciou com a explicação do motivo do convite à comunidade africana para a participação da Campanha da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.
O convite foi motivado pelas reivindicações das comunidades de imigrantes africanos e latinos, conforme estudo sobre os imigrantes da cidade de São Paulo arquivado para download no site do projeto i-migrantes que acha necessário a oportunidade de ter voz nos espaços da cidade.
A discussão sobre o tema do racismo,começou pelo recorte da situação dos africanos na cidade, que de certa forma sofrem a discriminação que o negro brasileiro também sofre. Para o africano este racismo é mais sofrido pois é acrescido de um preconceito decorrente de ser imigrante na cidade e de ser apontado como criminoso.
Segundo o depoimento dos participantes desta discussão, o africano só se depara com o racismo quando chega nas sociedades ocidentais de população branca e tem o grande desafio de ter que assimilar esta questão do preconceito racial posto historicamente nestes países. O negro brasileiro por sua vez, sofre com o racismo desde a constituição do Brasil, no momento que se tornou escravo e hoje enfrenta o racismo “velado” numa falsa “democracia racial” que muitos defendem a existência na sociedade brasileira.
O movimento negro brasileiro tem como bandeira o fim da discriminação racial e a igualdade de direitos para o povo negro. Porém a comunidade africana se vê ausente no debate sobre as questões raciais no Brasil, talvez por não se tratarem de “afro-brasileiros”.
Durante o debate, falava-se parte em inglês e português para o entendimento daqueles que não entendiam a língua inglesa ou o português. Este fato causou algumas dificuldades de entendimento das falas para muitos dos presentes. Alguns casos individuais do cotidiano foram levantados durante a conversa, como problemas de aluguel de imóvel; no comércio (onde se oferece produtos mais caros, ou omitem a existência do produto); de filhos que sofrem o preconceito na escola e também contaram como enfrentam estes problemas no dia a dia e como colocaram como missão para assuas famílias preservar a riqueza de educar os filhos distantes do preconceito racial.
Ter dignidade enquanto ser humano é uma das defesas principais que a comunidade de imigrantes africanos sugeriu levantar para a garantia de seus direitos civis e humanos na cidade de São Paulo e no Brasil. Sem esquecer também os seus deveres enquanto cidadão que contribui com a sociedade direta e indiretamente com as suas ações do cotidiano.
ENCAMINHAMENTOS
A necessidade de fortalecer a comunidade de imigrantes para o acesso a informações e ao diálogo como o poder público é super importante para modificar a imagem deturpada que se tem do imigrante nigeriano, que acaba atingindo outros imigrantes africanos. Sugeriu-se novas reuniões e encontros a serem marcados para garantir a participação no debate de um número maior de imigrantes africanos que apontará diferentes pontos de vista sobre a sua situação, principalmente sobre a questão das leis migratórias no Brasil.
Sugeriu-se também, colocar o ponto de vista dos imigrantes negros africanos também em debate com as organizações do movimento negro.
Deste modo ficou decidido que uma nova data deverá ser marcada para um outro encontro.
Todos os presentes aceitaram participar da Campanha e levaram cartazes, folder e o endereço eletrônico para divulgar acompanha para os demais africanos na cidade, pois é importante que fique registrado nesta Campanha a participação dos negros africanos que também enfrentam o racismo na cidade de São Paulo.
São Paulo é a capital dos negócios, da diversidade cultural e gastronômica. São muitas opções para conhecer tudo isso.